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12 de nov de 2009

CRÍTICA: "2012"

CATÁSTROFE ANUNCIADA

Fórmula recauchutada de filmes catástrofe, 2012 consegue ser mais desastroso que o gênero

O cinema catástrofe teve sem sombra de dúvida seu ápice nos anos 70, onde originou sucessos de bilheteria como Inferno na Torre (The Towering Inferno) e O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure). Sem os vastos recurso que o cinema dispõe nos dias de hoje, os diretores da época tiravam leite de pedra e conseguiam fazer render uma produção que na mãos erradas poderiam naufragar nas bilheterias e nas resenhas da crítica especializada. Com uma trama calcada no suspense e sem criar firulas óbvias para tirar qualquer gota de lágrima de quem estava na poltrona, os diretores John Guillemin e Irwin Allen (de Inferno na Torre) e Ronald Neame (de Destino do Poseidon) conseguiram criar clássicos setentistas que até hoje são insuperáveis nesta seara. Nessas produções vale lembrar que astros do calibre de Ernest Bornigne, Gene Hackman, Faye Dunaway e os saudosos Fred Astaire, Steve McQueen e Paul Newman davam o peso dramático para cada produção, elevando o seu nível.


Com o passar dos anos poucos longas nesse seguimento cinematográfica foi produzido. Nos anos 90 produções sem muita repercussão ou apuro de roteiro, como DayLigth de Sylvester Stallone tentaram reviver os áures tempos do cinema catástrofe, mas sem muito sucesso. Até surgir "pérolas" como Impacto Profundo. Sucesso de público e fracasso de crítica - mesmo com Morgan Freeman e Maximiliam Schell no elenco - a história sobre a destruição da terra causada por um asteróride nada acrescentou ao gênero. Assim como Inferno de Dante, o mais recente Um Dia Depois do Amanhã e outras produções indignas de notas. A Exceção, sem dúvida, fica por conta do megasucesso Titanic, por sua trama bem armada apesar de óbvia. E a direção irretocável de James Cameron. Talvez o próprio diretor não consiga se superar desse sucesso.

Agora o gênero tem mais uma chance com a chegada nesta sexta-feira, 13 (seria um presságio?? - desculpe o trocadilho) de 2012, nova produção que mais uma vez tenta colocar uma catátrofe natural como antagonista de uma humanidade indefesa. Pena que assim como a onda gigante que surge neste filme patético, o longa dirigido por Roland Emmerich (Um Dia Depois do Amanhã) seja tão destrutivo. Com um currículo mais cheio de baixos do que altos (acho que o único filme do diretor que foge de uma resenha negativa seja O Patriota com Mel Gibson e Heath Ledger) Emmerich consegue se superar na produção de clichês neste 2012.
Estão lá o Pai fracassado profisssionalmente que foi abandonado pela esposa com quem tem dois filhos pequenos, mas que no final consegue sua redenção. A esposa por sua vez está casada com o cirurgião plástico bem sucedido, porém idiota. O presidente americano negro (tal qual Barack Obama e o Morgan Freeman em Impacto) consternado que arrisca sua própria vida para tentar salvar sua população (será que isso existe meu deus). Políticos (acredite você) que em dado momento do filme pensam em salvar a vida dos pobres mortais que se acotovelam por uma salvação. A corrida desenfreada da dita família para escapar do fim que se aproxima. Isso e muito mais está lá. Mas o destaque maior fica para a cena onde aparece o nosso querido Cristo Redentor desmoronando. Assista caro leitor e tenha um momento de riso involuntário com a narração non sense que emoldura a cena. Impagável.
Emmerich em momento algum tenta trazer algo de novo para o gênero que já teve seus melhores dias. Ao contrário das produções dos anos 70 citadas no início do texto, que buscavam manter o climax na interpretação dos atores sem abrir concessões, em 2012 e tantas outras produções mais recentes também já citadas, o excesso no uso da tecnologia acaba por fazer o filme se perder e não dizer a que veio. Desta forma 2012 fica fadado a ser sua própria catástrofe.








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