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21 de fev de 2010

OSCAR 2010: IMPRESSÕES SOBRE OS INDICADOS A MELHOR LONGA METRAGEM

Desde 1943 a lista de indicados a melhor longa metragem não era formada por tantas produções. Claro que essa decisão foi planejada com o intuito de trazer mais suspense à premiação, visando melhores índices de audiência que os dos anos anteriores.
Das dez obras indicadas, podemos dar reais chances de vitória a menos da metade. “Um Sonho Possível” (The Blind Side), “Educação” (An Education) e “Amor sem Escalas” (Up in the Air) são filmes medianos e constituem a prova cabal do quanto o ano ficou devendo no quesito cinematográfico. Obras como “Star Trek” ou “Watchmen” mereceriam muito mais uma indicação no lugar de qualquer um destes três projetos.
O longa “Preciosa – Uma História de Esperança” preenche a lacuna da necessidade de se haver um filme alternativo em competição (como “Juno” em 2007), mas é um ótimo drama e merece ser visto.
“Um Homem Sério” (A Serious Man) é mais um exercício estilizado dos irmãos Coen, porém uma obra inferior a seus melhores trabalhos, como “O Grande Lebowski”, “Fargo” e até mesmo o oscarizado “Onde os Fracos não tem Vez”.
Nem preciso comentar sobre a indicação do fraco “Distrito 9” (District 9) que considero um enorme embuste, como vocês podem ler na crítica que fiz AQUI.
A animação da Pixar: “Up” (leia crítica AQUI) é merecida, posto que foi sem dúvida uma das melhores produções do ano, sua vitória seria até compreensível, porém acredito que levará o prêmio de melhor animação. Sua indicação na categoria principal foi mais uma constatação e uma homenagem ao trabalho estupendo que os estúdios Pixar estão realizando desde sua criação.
Os reais competidores são: “Avatar” (critica AQUI), “Bastardos Inglórios”(crítica AQUI) e “Guerra ao Terror” (The Hurt Locker).
O senso comum é de que “Guerra ao Terror” irá vencer, porém considero sua indicação uma escolha política, devido ao tema que fala sobre os jovens que estão servindo no Iraque. Como fruto de seu gênero fica bem atrás de obras primas como “Além da Linha Vermelha” de Terrence Mallick ou até mesmo algumas produções feitas diretamente para vídeo ou TV.
A diretora Kathryn Bigelow cujo melhor filme até então havia sido “Caçadores de Emoção” (Point Break), em 1991 com Keanu Reeves e Patrick Swayze não consegue trazer emoção ao drama dos jovens do esquadrão anti-bombas. Mesmo o tema sendo muito bom, não conseguimos nos importar com os personagens e isso é trágico em uma obra desse tipo. O uso da câmera também irrita em muitos momentos, utilizando-se excessivamente do zoom na tentativa de trazer realidade, o que acaba salientando os aspectos artificiais da produção.
Falta-lhe sutileza e inteligência, como quando em uma cena ótima, vemos um dos jovens que após voltar da guerra, entra em um supermercado e vê os vários pacotes de cereais, dos mais variados tipos e cores que enchem toda uma fileira. Sem abrir a boca, o personagem demonstra toda a intenção daquele momento. Alguns minutos depois, somos brindados com uma cena piegas e clichê onde o jovem conversa com o filho bebê e disserta didaticamente sobre como tudo muda após uma guerra, como não se dá mais valor às mesmas coisas....isso já estava claro na cena anterior, não precisava de mais explicações.
Caso “Guerra ao Terror” vença irá se repetir o feito trágico do ano de 1982, quando o novelão formulaico “Carruagens de Fogo” ganhou de “Os Caçadores da Arca Perdida”, uma obra ousada e original. Passados mais de vinte anos, qual das duas obras é mais lembrada? O pedantismo de “Carruagens de Fogo” envelheceu terrivelmente mal, enquanto a aventura inicial de Indiana Jones continua a emocionar e alcança novas gerações.
O meu favorito para o prêmio é “Bastardos Inglórios”, que tenho certeza dentre os indicados é o único com reais chances de ser alçado ao patamar das obras eternas, que daqui a 30 anos continuarão tendo o mesmo impacto. Quentin Tarantino merece levar também o prêmio de direção, que a Academia lhe deve desde “Pulp Fiction”.
E “Avatar”? É uma ótima aventura, um “arroz com feijão” extremamente bem conduzido que com certeza irá servir de exemplo para todos os filmes do gênero que virão, porém não considero sua história revolucionária a ponto de merecer levar o prêmio máximo. Se vencer, será mais pelas benesses que têm trazido ao cinema como indústria.
Se o prêmio ficar com Tarantino ou Cameron, ficarei satisfeito... agora, a sorte está lançada, nos vemos no próximo dia 07 de Março!

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