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30 de mar de 2010

ACIMA DAS RELIGIÕES

Fugindo das discussões entre religiões e falando sobre o homem Chico Xavier, Daniel Filho coloca na tela um de seus filmes mais corretos


A importância de Chico Xavier transcende qualquer noção de religião ou crença, vai além da fé e fala direto aos corações dos homens.

Daniel Filho tomou para si a responsabilidade de contar a história deste homem, tão profundamente humano em sua vaidade e bom humor, porém que conseguia trazer paz a famílias atormentadas pela perda, sem que para isso pedisse nenhuma recompensa material. Havia várias formas de se contar a vida de Chico Xavier, pelo ângulo espírita traria riscos de se tornar uma obra limitada a um público específico, se contasse pelo ponto de vista do homenageado, incorreria nos mesmos erros de muitas produções autobiográficas que celebram somente as vitórias esquecendo-se dos erros, tornando-o um homem divino. Daniel Filho acerta ao focalizar o homem por trás do mistério, sem tomar partido algum, deixando a interpretação de sua vida livre para cada pessoa que assistir.
A obra claramente se divide em três atos e a junção de cada ato se faz de forma pouco ousada. No primeiro acompanhamos Matheus Costa como Chico em sua infância, mostrando os primeiros sinais de sua paranormalidade. É o ato menos inspirado e que arrasta-se com pouca emoção.

Quando Ângelo Antônio entra em cena como o personagem já mais velho, o filme ganha em ritmo e torna-se mais emotivo. Impressionante o trabalho de Ângelo na criação do personagem, com todas as suas complexidades psicológicas expostas. Seu guia espiritual Emmanuel vivido por André Dias não tem a mesma sorte, padecendo de uma incrível falta de carisma, tornando-se algo menor do que poderia ser nas mãos de um ator mais habilidoso.

Não há como negar que o filme ganhe com a entrada de Nelson Xavier no terceiro ato, em uma interpretação digna de valorosas palmas. Além do trabalho estupendo de caracterização, sua sutileza resgata gestos e expressões tão verdadeiros que impressiona.

A direção de Daniel Filho, usualmente com uma mão pesada advinda da teledramaturgia, surpreende por demonstrar uma leveza muito bem vinda, excetuando-se apenas uma cena de humor que, mesmo satisfatória no que se propõe, destoa do resto da produção exatamente por trazer o ranço da mão pesada que havia citado anteriormente.

O elenco faz um ótimo trabalho, destacando-se a sensibilidade de Giovanna Antonelli e Christiane Torloni que mostram-se o coração da obra. Tony Ramos também merece reconhecimento por representar talvez o personagem mais importante na trama, além do próprio homenageado, por simbolizar cada um de nós, com todos os questionamentos e dúvidas inerentes ao tema.

“Chico Xavier”, além de ser o melhor filme dirigido por Daniel Filho até o momento, acerta aonde muitos errariam: Não julga, não condena, não intenciona mistificar, ele humaniza o personagem e deixa que cada espectador saia da sessão pronto para criar seu próprio conceito a respeito dele. Vale a pena assistir!!

Cotação: 8,5/10

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