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11 de ago de 2010

EMANUEL JACOBINA FALA SOBRE A NOVA FASE DE MALHAÇÃO

Depois de uma temporada digna de esquecimento, talvez só perca como pior produção de teledraturgia para a finada Tempos Modernos, Malhação estreia este mês nova fase e com elenco totalmente renovado. Emanuel Jacobina, que esteve entre os autores da novelinha adolescente no ano de sua criação em 1993, retorna com a difícil missão de dar um novo fôlego a produção teen. Leia entrevista com o autor logo abaixo (cortesia da CGCom):


Você participou da oficina que criou ‘Malhação’. Você imaginava que o programa fosse ficar durante 15 anos no ar?
Emanuel Jacobina: Não, não tinha a convicção de que o programa fosse ficar 15 anos no ar. Essa oficina foi realizada entre 1993 e 1994 e o projeto era meu e da Andréa Maltarolli, uma grande amiga minha. O objetivo era abrir uma janela para o universo jovem dentro da teledramaturgia, na TV aberta, com exibição diária. O projeto inicial foi sendo modificado e recebendo muitas contribuições de outros autores, como Ricardo Linhares, Ana Maria Morethzon, Patrícia Morethzon, além de uma participação notável de Roberto Talma, diretor que ajudou a conceituar esse projeto.

Como está sendo voltar a escrever o texto de ‘Malhação’?
Emanuel Jacobina: Minha última participação em ‘Malhação’ foi em 2001, como supervisor de texto da Andréa. Já se passaram nove anos. De lá para cá, um fato curioso é que meus filhos se tornaram adolescentes. Antes, escrevia esse programa voltado aos jovens sem ter uma referência em casa, e agora tenho. A volta à ‘Malhação’ me deixa satisfeito pela parceria com Ricardo Waddington, um diretor bastante cuidadoso, inteligente, sensível para lidar com jovens. O que também me deixa satisfeito é poder voltar a falar sobre educação, um assunto que me interessa, é sempre pertinente e justifica a permanência de um colégio no programa até hoje.

Você acha que o jovem de hoje mudou muito nesse período?
Emanuel Jacobina: Mudou muito, sim. O jovem hoje é mais ligado ao mundo, à cidade, ao país. E não me refiro necessariamente à política, mas sim à capacidade dele, a partir de vários instrumentos, como a internet e o celular, de trocar informações e se conectar com novos fatos da cultura. Um exemplo é a questão da Aids. Há dez anos, ainda estávamos numa espécie de “ressaca” da Aids. O governo brasileiro se tornou uma referência no combate à doença, que foi um tema importante na minha primeira temporada como autor titular de ‘Malhação’, em 1999. Nessa época, a Aids ainda era uma epidemia que gerava preconceito e atitudes mais moralistas do que hoje. Agora, os jovens estão mais bem informados e, portanto, menos preconceituosos e mais tolerantes.

Como essa mudança do jovem será refletida na nova temporada? Qual será o principal tema abordado?
Emanuel Jacobina: O principal tema da nova temporada é a “cidade partida”. Isso significa que pessoas de origens e classes sociais diferentes têm que se encontrar em torno de um interesse comum, que é a educação, e conviver, apesar das desconfianças e preconceitos que nutrem uns pelos outros. Essa cidade partida vai ser mostrada através da vida de dois personagens: um rapaz da periferia e uma menina da parte mais rica da cidade. Ele traz a necessidade de ajudar os pais, inclusive financeiramente, contribuindo para pagar a mensalidade do colégio do irmão. Por isso, ele já trabalha. É um DJ, já conhecido no meio por fazer as pessoas ficarem animadas nas festas com os mash-ups e os mix e remix que ele oferece. A ideia do mash-up mostra exatamente a possibilidade de misturar um Odair José e uma Lady Gaga, fazendo o povo dançar com isso.

Os dois protagonistas, Catarina e Pedro, se apaixonam à primeira vista ou ela ainda fica muito presa ao Eric nos primeiros capítulos?
Emanuel Jacobina: Os dois não se apaixonam exatamente à primeira vista. De imediato, eles têm um relacionamento de tensão emocional. Isso acontece porque Catarina se insinua para o DJ Pedro com o objetivo de provocar ciúmes em Eric, que vinha agindo de maneira desrespeitosa no namoro deles, sempre paquerando outras meninas. Mas essa tensão inicial é logo obliterada, dando lugar a um conflito mais sério. O irmão de Pedro é acusado de agredir o de Catarina. Isso gera uma interdição permanente na relação dos dois, porque, enquanto o irmão dele está sendo processado na justiça, o dela está com um problema médico, supostamente vindo da agressão. Existe um mistério, sobre se o irmão de Pedro realmente agrediu o outro, e, se sim, em que circunstâncias.

O Lúcio será o grande antagonista?
Emanuel Jacobina: Sim, ele foi quem citou o conflito entre os irmãos de Pedro e Catarina. Como ele não quer se ver de alguma maneira responsabilizado por essa situação de rivalidade, Lúcio não quer que ninguém se lembre do que de fato aconteceu. Ele é invejoso e apaixonado por Catarina, mas ela o despreza. Então, ele mantém seus sentimentos de certa forma guardados. No entanto, não desiste de tentar conquistá-la. O comportamento de Lúcio se assemelha um pouco ao do pai de Catarina. Separado da mãe da jovem, ele não paga a pensão dos três filhos, justificando que quem pediu a separação foi a esposa. As atitudes que demonstram orgulho ferido são uma constante nesses dois antagonistas, o jovem e o adulto. Mas o pai de Catarina não chega a ser mau-caráter e arquitetar intrigas, como faz Lúcio.

Que tipo de preconceito Pedro e seu irmão Theo vão sofrer no colégio?
Emanuel Jacobina: O Pedro é da mesma sala que a Catarina, ambos do terceiro ano. Isso será motivo de mal-estar permanente para a menina, por conta da questão da agressão do irmão dela. Pedro tenta se justificar e convencê-la de que seu irmão não tem culpa do que aconteceu, mas ela não lhe dá ouvidos. O Theo vai sofrer também bullying na escola.

Que tipo de música os DJs Pedro e Ângela vão tocar? Qual a relação das mixagens com a temática?
Emanuel Jacobina: A Ângela, no começo, está ao lado de Pedro apenas como amiga. Aos poucos, ela vai aprendendo a profissão. Com o tempo, os laços afetivos entre os dois se estreitam e eles iniciam um namoro. Quando eles terminam o relacionamento, Ângela decide então levar a carreira de DJ a sério e, ressentida, se esforça por melhorar o desempenho. Até que chega um momento em que os dois, antes amigos, acabam rivais, o que fica claro nas disputas profissionais entre os dois DJs. Essa é a forma que ela encontra para chamar a atenção de outros meninos, já que Pedro a rejeita. E Ângela será muito bem-sucedida na carreira.

Malhação’ é conhecida por trazer à discussão temas polêmicos. O que podemos esperar da nova temporada?
Emanuel Jacobina: Menoridade penal, violência entre jovens nas grandes cidades e preconceito racial. Além disso, daremos destaque para a questão da inserção do jovem no mercado de trabalho – até que ponto é possível conciliar estudo e trabalho ainda no Ensino Médio? Quando vale cessar o processo de formação em benefício da experiência profissional? Há ainda uma abordagem sobre o trabalho do servidor público, que estará ambientado no hospital onde trabalha a mãe de Catarina. Ela se sente satisfeita por trabalhar em uma instituição de saúde pública, mas em vários momentos pensa em trabalhar na iniciativa privada, onde a remuneração do profissional de saúde é melhor.

E o personagem goleiro, Maicon?
Emanuel Jacobina: Assim como outros personagens, ele se insere no tema que discute a interrupção dos estudos em favorecimento da vida profissional. Mas o goleiro é um personagem de comédia, porque traz a ignorância para o ambiente de alta erudição do melhor colégio da cidade de Ensino Médio. É um ambiente sofisticado, um colégio moderno, de ponta. O Maicon traz o subúrbio com todo o seu descaramento para dentro desse ambiente. Esse é o personagem que mais gosto de escrever, por ser muito divertido. Nas tramas dele, vamos falar de Lei Pelé.

Você se considera um autor bem inserido no universo jovem? Quais são suas inspirações?
Emanuel Jacobina: Por um lado, preciso fazer um esforço para sair do meu lugar de pai, de um homem de 48 anos de idade, e enxergar o mundo através dos olhos de pessoas bem mais jovens do que eu. Pego as músicas do Ipod do meu filho para ouvir, vou a festas jovens na cidade. 

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