Top Ad 728x90

13 de dez de 2010

CRÍTICA: ENTERRADO VIVO

Enterrado Vivo é o primeiro filme do diretor espanhol Rodrigo Cortés
Ryan Reynolds se destaca em thriller claustrofóbico

Por André Moreira


Enterrado Vivo (Buried) tem conquistado boas críticas desde o festival de Sundance deste ano.  E não é para menos. Partindo de uma simples premissa o diretor Rodrigo Cortés consegue tirar proveito de uma simples narrativa sem repetir fórmulas. O diretor espanhol faz uma boa estréia e aproveita da melhor forma o limitado orçamento (3 milhões de dólares) com esse filme claustrofóbico que parece ser a nova tendência de Hollywood, vide o ainda inédito e já aclamado 72 horas do diretor Danny Boyle. 

Paul Conroy (Ryan Reynolds) desperta amarrado e amordaçado naquilo em que ele logo percebe ser um caixão. Enterrado vivo a muitos metros abaixo do solo, o caminhoneiro que prestava serviço para uma empresa americana no Iraque, precisa tentar rapidamente escapar de sua prisão, mesmo sem ter muita alternativa. De posse apenas de um celular, uma lanterna, um pequeno cantil e um isqueiro, Conroy corre contra o tempo.

Ryan Reynolds, que vive o protagonista Paul Conroy, finalmente parece à vontade fora de seu ambiente de comédia. O ator domina a cena e passa de forma correta toda a tensão que o personagem exige. Enterrado vivo pode ser um divisor de águas na carreira do ator, sempre limitado a comédias por vezes duvidosas. Mas ele vai precisar enxergar além desses filmes encomendados de Hollywood para traçar uma boa e longeva carreira no cinema sem ficar “confinado” a papéis medíocres. 


 Com uma narrativa ousada para os atuais padrões do cinema atual onde os efeitos digitais parecem tomar a vez de bons roteiros, Córtes se mune apenas de um filete dramático, onde filme único e limitado cenário parece ser o personagem coadjuvante ganhando vida e onde o diretor teve como principal e competente aliado o diretor de fotografia Eduard Grau ( de Single Man), que conseguiu imprimir o ambiente claustrofóbico que ao longo da projeção parece saltar da tela e incomodar o público, que com certeza se sentirá “aprisionado” junto com o protagonista. As conversas de Conroy com outros personagens (que surgem durante todo o filme através de vozes via celular) aumentam ainda mais o clima de suspense e tensão e suas ausências físicas gera o contraponto necessário para o filme crescer em proporção. Os diálogos entre Eles e Paul também conseguem espaço para criticar a política de guerra adotada pelos Estados Unidos, o que ajuda o filme a não ficar com um tom superficial. Enterrado Vivo consegue provar que mesmo com um orçamento apertado é possível criar um bom filme.

1 Comentários:

Top Ad 728x90