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27 de jul de 2011

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CRÍTICA: CAPITÃO AMÉRICA - O PRIMEIRO VINGADOR

Supersoldado dos quadrinhos faz sua estreia nas telas de cinema em filme mediano

Por André Moreira

Adaptar um personagem tão americano para o cinema talvez tenha sido o principal obstáculo do diretor Joe Johnston ao aceitar levar para as telas a história do Capitão América, o mais patriótico dos heróis de quadrinhos, criado em 1941 pelo lendário Jack Kirby e Joe Simon, com suas aventuras publicadas pela primeira vez na revista Captain América Comics #1. Capitão América: O Primeiro Vingador chega às telas com a responsabilidade ainda maior do que seus antecessores advindos dos quadrinhos: Prender a atenção do público fora do território americano sem lhes causar certa antipatia. Uma delicada equação, mas que com um roteiro simples e sem muitas inovações, deve conseguir seu intento. Solução positiva até certo ponto. Agrada em sua simples feitura, mas que deve reduzir seu “prazo de validade” ao longo do tempo. Um roteiro de fácil digestão e feito sob medida para as bilheterias americanas e ao redor do mundo? O tempo dirá.
Ambições comerciais à parte, Capitão América é mais um blockbuster onde o roteiro simplista em nada deve agradar os mais exigentes, que vêem em produções como Batman e Watchmen um sopro de criatividade que vai além das necessidades comerciais e de mercado. Uma ousadia que parece não ter contagiado a Marvel em suas recentes incursões cinematográficas, Vide o recente Thor, por exemplo. Diversão e entretenimento sem muita profundidade seja nos diálogos, seja nas atuações, seja na direção. Prática para as bilheterias, mas nada funcional em se tratando de criar clássicos do gênero.

Em Capitão América: O Primeiro Vingador, como é de praxe nas primeiras incursões de personagens dos quadrinhos, principalmente os não tão conhecidos do grande público (caso de nosso supersoldado em questão), a que se fazer as devidas apresentações e o primeiro momento do filme se mantém nesse sentido, o que lhe confere um ritmo menos dinâmico até sua segunda metade, onde a partir daí o filme realmente engrena. Como um bom blockbuster, o filme segue bem a cartilha de ação. Algumas seqüências de ação são eletrizantes, como a perseguição pelas ruas de Nova York e um tiroteio na base nazista. Efeitos especiais estão bem aproveitados com os atores mostrando vigor na maior parte das seqüências. Chris Evans talvez não seja de fato a melhor opção para viver o herói, que nos quadrinhos tem um perfil mais maduro, mas nas cenas de luta e ação consegue se sair bem na maior parte do tempo, o que diminui e muito os erros cênicos que pudessem surgir. Para o ator talvez tenha sido positivo dividir a cena com atores experientes como Tommy Lee Jones, ator que está divertido e seguro em cena como sempre e aqui não faz por menos. Aliás, esse é um dos acertos de Capitão América, onde a responsabilidade de um ator não tão famoso e talentoso é dividida com atores mais experientes, conferindo ao filme um peso maior, que na verdade não o tem. No outro lado dessa equação está a nota dissonante. Hugo Weaving está canastrão ao extremo com seu Caveira Vermelha. O personagem por si só é difícil e parece ter levado o ator ao erro, carregando nas tintas e levando-o ao exagero.
Correto em sua feitura, porém Capitão América nada de novo acrescenta ao gênero. Um erro? Um acerto? Depende de cada ponto de vista. O que devemos esperar de filmes gerados a partir de adaptações de quadrinhos? Uma cultura pop que para muitos nem de longe pode gerar discussões mais profundas política e culturalmente, mas que se mostrou bastante eloqüente em diversas produções. Watchmen, por exemplo, um dos grandes clássicos dos quadrinhos de todos os tempos e que gerou – embora nem todos concordem – um bom filme a sua altura, é uma das provas disso. Deve se ter cuidado ao adaptar determinadas histórias em quadrinhos para não cair no erro clássico de se achar que tanto esse produto como seu público são descartáveis e de mentalidade rasa. Longe disso, tais produções podem e devem abrir discussões e apresentar novas visões sobre um determinado tema. Quando se fugir dos habituais esquemas de grandes produções onde o público é por diversas vezes subestimado, novos e grandes roteiros serão produzidos.
No caso dos filmes da Marvel Comics, cabe a seus produtores enxergarem além dos fatores comerciais e buscar a ousadia mais presente nos filmes de sua concorrente direta, a DC Comics, que com seus dois últimos Batman (Batman Begins e Batman Dark Nights), elevaram o gênero a outro patamar e que, pelo visto, dificilmente poderá ser alcançado. Falta disposição? Falta coragem? Talvez essa “mudança” de objetivos possa dar longevidade a seus personagens no cinema e evitar que eles venham a cair no esquecimento nos próximos anos.

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