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16 de fev de 2012

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CRÍTICA: A INVENÇÃO DE HUGO CABRET


Martin Scorsese mostra que sabe falar com todos os públicos ao entregar um de seus melhores filmes

Por André Moreira

Detentor de 11 indicações ao Oscar desse ano, muitos devem se perguntar o que uma aventura infanto-juvenil como A Invenção de Hugo Cabret tem de tão especial para conquistar tantas atenções da academia de cinema. Talvez o principal diferencial de Hugo em relação a tantas outras produções desse gênero esteja na mão de seu “maestro” Martin Scorsese, que pela primeira vez deixa de dirigir e produzir um longa adulto para se arriscar em um terreno antes dominado por outro veterano, Spielberg. Um risco que valeu a pena, com Scorsese entregando aquele que talvez seja seu mais belo trabalho em tempos. E aí se justifica tamanha comoção em torno de sua produção. Desde a cenografia (linda), passando pelo roteiro, interpretações e a utilização da técnica do 3D, Hugo é uma experiência única e que mostra como ainda é possível fazer cinema misturando o moderno e o tradicional sem distorcer o resultado final.

A Invenção de Hugo Cabret, adaptado da obra infanto-juvenil de Brian Selznick, é uma celebração ao cinema e mostra que seu diretor está em ótima forma e que ainda tem muito a oferecer ao seu público, mesmo depois de anos à frente de tramas adultas e complexas. Produções que  lhe deram segurança suficiente para que pudesse dar um passo atrás e contar uma história simples  e que presta uma homenagem à sétima arte que ele tanto ama e onde fez história.


A Invenção de Hugo Cabret é a incrível aventura de um garoto esperto e despachado cuja busca por desvendar um segredo deixado para ele pelo pai transformará a sua vida e a daqueles ao seu redor, revelando um lugar seguro e amável que ele poderá chamar de lar.

Uma premissa simples mas que ganha outra projeção nas mãos de Martin Scorsese, desde seu roteiro que privilegia um texto inteligente e cheio de citações ao universo cinematográfico, até a bela fotografia que aliada ao 3D, explode na tela., no bom sentido da palavra. A técnica, hoje sub-utilizada, aqui alcança sua perfeição.


Se em Avatar James Cameron mostrou o que é possível fazer com a técnica, Scorsese vai mais além do que seu colega de ofício e utiliza o 3D não apenas como um mecanismo para criar profundidade cênica e fazer objetos saltarem na tela. O diretor, experiente como só ele, faz da técnica sua aliada para contar a história e  assim levar o telespectador a viajar junto com seu protagonista. Uma criação quase orgânica e longe da frieza tão comum na maioria das produções. Em A Invenção de Hugo Cabret ciência e arte não se opõem, se complementam.

O elenco liderado pelos ótimos e promissores Asa Butterfield ( que vive o protagonista Hugo e é a alma do filme) e Chloe Moretz (que se destacou em Kick-Ass e é o talento em pessoa) ajudam a tornar “real” essa bela experiência ao lado de Ben Kingsley e Christopher Lee. Até mesmo Sacha Baron Cohen está bem, longe de sua ironia habitual presente em seus mais recentes filmes. Um ganho na carreira do ator.

Com A Invenção de Hugo Cabret, Martin Scorsese mostra que as vezes menos é mais. E em um momento em que o cinema parece olhar para o passado, o diretor presta um tributo digno à sétima arte.

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