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29 de mar de 2012

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CRÍTICA: FÚRIA DE TITÃS 2


Por André Moreira


O primeiro Fúria de Titãs, apesar de boa bilheteria, pecou em dois principais pontos. Desprezou valorosos elementos do original do qual era adaptado, desprezando, por exemplo, a participação de outros deuses mitológicos no revival de um filme que mesmo não sendo um sucesso estrondoso na sua época, pelo menos abordou de forma digna o universo dos deuses gregos, o que até hoje é pouco comum no cinema. Vide o recente Imortais, que tinha uma premissa parecida e naufragou em meio a uma trama ornada em figurinos carnavalescos e atuações limitadas. De lá pra cá, ninguém mostrou de forma correta esse universo. O remake de Fúria também errou ao converter o longa para o 3D na pós -produção, em vez de filmar em câmeras próprias para esse tipo de técnica. Mirando em uma bilheteria maior, já que esse tipo de ingresso é bem mais caro, acabou dando um tiro no pé, já que o que se via na tela tinha uma qualidade de gosto duvidoso. E nisso, quem sai perdendo é o público, que pagou por algo que não estava a altura do que esperavam ver na telona.


Agora chega às telas a seqüência do filme, “Fúria de Titãs 2”, com a ingrata missão de apagar a péssima impressão deixada pela primeira aventura de Perseu (Sam Worthington). Pena que fica no meio do caminho de sua missão.


O segundo “Fúria” tinha ao seu favor o fato de estar livre das comparações com o original do início dos anos 80, sendo um longa independente do primeiro filme protagonizado por Sir Lawrence Olivier, mas infelizmente não utilizou isso ao seu favor. A trama é pouco empolgante mostrando problemas familiares entre os Deuses e seus filhos, nada que realmente legitime a necessidade de uma seqüência como essa. Sai um bom roteiro, entram os efeitos visuais, que aqui estão a serviço da trama dirigida por Jonathan Liebesman. Nesse quesito Liebesman é craque, já que dirigiu Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles, onde o que pouco importava era o roteiro e sim a ação. Liebesman dever ter se matriculado na mesma escola que Michael Bay (leia-se transformers), dada as devidas proporções.


Nem mesmo a presença de Ralph Fiennes (o Valdemort da franquia Harry Potter) e Liam Neeson, que reprisam seus mitológicos papéis,  Hades e Zeus respectivamente, ajudam a contar essa história que desperdiça bons atores. Worthington leva jeito para papéis de ação e já provou isso em outras ocasiões, mas com um roteiro frouxo pouco pode fazer. Edgard Ramires, apesar de ter o físico necessário para seu Ares, Deus da Guerra, pouco faz cenicamente, limitando-se a fazer caras e bocas. Já atuou melhor em outras tramas. E “Fúria de Titãs 2” comete o mesmo erro de desprezar os outros deuses gregos, o que enriqueceria  e muito a trama. Se era para mostrar conflitos familiares, perdeu uma grande chance de se aprofundar no tema.


Se o roteiro é pouco inspirador, por outro lado Fúria de Titãs 2 se redime no quesito 3d. Não porque tenha a excelência de um “Avatar” ou de uma “Invenção de Hugo Cabret”, mas porque não apresenta os mesmos erros de sua primeira aventura, tendo optado por filmar diretamente em câmeras próprias para essa técnica. E isso já é um ponto a favor, porque está a serviço dos ótimos efeitos visuais do longa.


Mesmo não sendo o grande destaque em um ano em que ainda veremos filmes como Os Vingadores e o novo Homem-Aranha, “Fúria de Titãs 2” serve como boa diversão na tela grande para quem curte filmes onde a ação e efeitos vem em primeiro lugar. E isso já é um avanço.

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