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15 de mar de 2012

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CRÍTICA: SHAME


Michael Fassbender surpreende mais uma vez com uma atuação arrebatadora

Por André Moreira


Falar sobre a sexualidade ainda é um tema tabu e mesmo assim por diversas vezes serviu de tema central para produções cinematográficas e ainda renderá ótimos roteiros. Shame, excelente filme dirigido pelo diretor inglês Steve McQueen e estrelado por Michael Fassbender (mais conhecido pelo grande público por ter interpretado o jovem Magneto de X-Men: First Class), “abraça” o tema jogando um novo olhar sobre ele através de um roteiro intrincado e intenso.

McQueen, que em 2008 fez uma ótima estréia com Hunger, despe o conceito sobre o sexo e o coloca na tela como algo mais torturante e ambíguo. Como o ato sexual pode ser um fardo para alguém a ponto de interferir em sua vida, seus relacionamentos? O diretor não faz um filme sobre heterossexualidade ou homossexualidade, mas sobre como um homem lida com seu desejo doentio sobre sexo e os desdobramentos em sua vida pessoal e profissional.


Shame é um filme profundamente intenso, um estudo sobre um personagem (Brandon) com a alma torturada e suas relações com a sociedade que lhe cerca por conta da forma como lida com sua questão sexual. É um olhar penetrante e profundamente perturbador sobre a obsessão com o sexo. McQueen joga uma luz sobre um tema pouco discutido na sociedade. 

A história se passa em Nova York e mostra a vida de Brandon (Michael Fassbender), um viciado em sexo. Porém, longe de retratar o glamour da cena noturna novaiorquina e as aventuras sexuais de uma pessoa livre no século XXI, o filme foca no aspecto solitário e na necessidade sexual em um nível patológico.


Um ponto interessante no filme de McQueen é a relação de Brando com sua irmã Sissy (Carey Mulligan). Enquanto ele não sabe lidar com seus sentimentos e se desconecta de todos eles, sua irmã é o oposto, sendo excessivamente carente. Uma antítese interessante que ajuda a destacar o drama do personagem de Fassbender.

O filme tem uma estética soturna deslumbrante que dá o tom certo a história. Fassbender tem uma atuação feroz, no bom sentido da palavra, passando todo o drama e angustia do personagem com uma performance arrebatadoramente charmosa e ao mesmo tempo forte e intensa como um tapa na cara. O filme como um todo é um trabalho de entrega do ator ao personagem e Fassbender faz isso de forma primorosa. 

Tanto o filme, a direção, assim como a atuação magistral de Fassbender foram as ausências sentidas na última edição do Oscar. Pena, pois seria uma oportunidade de mostrar que a academia de cinema americana não é tão conservadora e retrógrada.

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