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18 de jul de 2012

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CRÍTICA: VALENTE

Merida: Princesa de atitude e cabelos sem chapinha

Por André Moreira


Não é mais novidade que a Pixar se destaca pela sua técnica de animação. Elogiar seu trabalho sob esse aspecto é chover no molhado. Mas a "cereja do bolo" do estúdio estava na boa mistura entre roteiro e técnicas de animação. Vindo de um mar de maniqueísmo imposto por anos pela Disney (fosse para o bem ou para o mal), a Pixar era o então diferencial no gênero de animação. Se a Disney insistia na fórmula adocicada de seus tradicionais desenhos, a Pixar oferecia o oposto. Bons roteiros, ótimos e ácidos diálogos e o domínio da técnica como nenhum outro estúdio jamais teve. Isso até a própria Disney comprar a Pixar. Então o que era um indício de uma grande novidade para os anos seguintes, aos poucos se rendeu ao esquema de Walt Disney. É claro que muitas animações criadas a partir daí se destacaram pelo bom e diferenciado roteiro ainda na esteira do sucesso do prolífico estúdio, como o premiado Up. Mas suas duas produções mais recentes mostram que a Disney prefere não arriscar e retorna ao seu porto seguro. Enrolados foi um exemplo disso, com o retorno ao universo das heroínas/princesas adocicadas como a priscas eras. Valente (Brave no original), que estreia nesta sexta, 20, mostra ainda mais essa tendência. Mesmo com a concorrência acirrada da Dreamworks, Blue Sky e Universal correndo – e muito bem – por fora, parece que a Disney/Pixar prefere retornar à sua zona de conforto. Uma pena.


Valente (visualmente lindo) não é de todo mal. Pela primeira vez trás uma heroína (princesa, claro) de longos cabelos ruivos e revoltos, cheia de atitude e sem um príncipe coadjuvante para chamar de seu. Merida, a princesa, foge do esteriótipo da menina frágil e ingênua tanto visto e revisto nos longas da Disney e por isso coloca um tempero nessa trama que no fundo segue o roteiro esquemático do maior estúdio de animação do mundo. Uma tentativa do estúdio de tentar disfarçar seu eterno gosto por tramas água com açucar e final óbvio? É possível.


Merida é uma habilidosa e impetuosa arqueira, filha do rei Fergus e da rainha Elinor. Determinada a trilhar seu próprio caminho, ela desafia um antigo costume considerado sagrado pelos ruidosos senhores da terra: o imponente lorde MacGuffin, o carrancudo lorde Macintosh e o perverso lorde Dingwall.
A premissa embora boa não se desenvolve a contento, demorando a ganhar ritmo em seus minutos iniciais. Personagens pouco carismáticos e uma trama por vezes infantil para os padrões Pixar que pouco lembra os roteiros mais elaborados de outrora. Tentando criar novos elementos, como a ausência do principe em questão e a pró-atividade de sua heroína, Valente apenas é um emaranhado do que a Disney já produziu no passado. É um boa diversão para a família, mas que não deve ser incluído no hall das melhores produções do estúdio.

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