Top Ad 728x90

1 de fev de 2013

, ,

CRÍTICA: O LADO BOM DA VIDA

Por André Moreira

Entre todo o burburinho de prêmios e elogios da crítica que saudou o lutador em 2010, parecia haver uma questão fundamental: será que o sucesso poderia estragar o talento do diretor David O Russell?
O lutador não só deu ao roteirista e diretor seu sucesso maior bilheteria até hoje (desbancando seu maior hit anterior, Três Reis), mas lhe deu o seu primeiro filme elogiado e premiado por público e crítica. Se em O Lutador havia ali de certa forma uma família desajustada e lutando para se equilibrar entre um mar de frustações, em O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) a história não é tão diferente, mas eficiente na hora de dosar as cargas de drama e comédia, ao contrário de seu predecessor, um filme mais barra pesada se compararmos com esse novo e ótimo trabalho de David. A mão certeira do diretor fica evidente quando todos os personagens estão dividindo a cena, onde o texto surge em profusão e sem lapidação, o que torna o filme bem próximo da realidade. Quem já não se viu na mesma situação? Difícil qualquer espectador não se identificar com as situações ali expostas.




O Lado Bom da Vida é um daqueles filmes onde tudo se encaixa. A trama, o elenco e uma direção afiada e sensível. Mas o trunfo principal do diretor David O. Russel  está na dupla de protagonistas Jennifer Lawrence (indicada ao Oscar de melhor atriz por ese papel) e Bradley Cooper (indicado ao Oscar de melhor ator). A química entre o casal é fascinante.
Jennifer Lawrence já havia chamado a atenção por sua atuação em O Inverno da Alma, filme que lhe valeu uma indicação ao Oscar à exemplo desse ano. A atriz domina de forma primorosa a cena dando o tom certo nos momentos de instabilidade emocional de sua Tifanny indo da sutil comédia ao drama com a mesma propriedade. Seu talento salta aos olhos. Não é a toa que foi nominada mais uma vez e arrebatou outros prêmios por onde passou.  
 

Bradley Cooper soube agarrar sua chance de mostrar que seu talento vai além da franquia Se Beber Não Case e assim como Jennifer mostra maturidade em um trabalho difícil para qualquer ator. Bradley aliás já havia feito isso em outro filme menos cotado, Sem Limites. Talvez ali estivesse o embrião do que podemos ver em O Lado Bom da Vida. Apesar de seu agora inegável talento, não creio que seja páreo para Daniel Day-Lewis e Hugh Jackman na corrida pelo Oscar, mas o fato de ter sido nominado já mostra ao que veio. Espero que saiba escolher seus próximos projetos daqui para frente.
David O. Russel pode não levar o Oscar de melhor filme por O Lado Bom da Vida, mas isso não deve diminuir a força de seu trabalho que deve envelhecer bem com o passar dos anos.
.

0 Comentários:

Top Ad 728x90